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E a família?

Atualizado: 1 de Jul de 2019

Qual papel real da família na inclusão e na felicidade da pessoa com deficiência?

Vemos muita cobrança dos pais para que as escolas alfabetizem as crianças com deficiência, vemos a cobrança dos pais para que os fonoaudiólogos façam as crianças falarem, não raramente vemos os pais cobrarem os fisioterapeutas para que as crianças andem, psicólogos para que essas crianças tenham um bom comportamento e neurologistas para darem remédios porque a criança não foca ou não param quietas, e essa lista de cobrança aumenta conforme os problemas da criança aumentam dentro de casa ou na escola.

Não raro vemos os pais esquecerem do seu papel, esquecerem de ser pai e mãe.

Trabalhar pela educação e bem estar dos filhos não está somente ligado a dar um teto, alimento e brinquedo, as famílias estão se esquecendo de SER e estão muito mais ligadas em ESTAR, cobrando do outro coisas que é de sua responsabilidade.

Observar o desenvolvimento da criança com necessidades especiais se faz necessário, para que possamos entender melhor qual é o grande desafio.

Quando observamos mais de perto a vida das pessoas com deficiência que hoje são adultos e que obteve sucesso em autonomia e estudos, vemos que existe uma equipe multidisciplinar muito mais capacitada e atenta a todo o processo de desenvolvimento desta pessoa com deficiência e que muitas vezes fica nos bastidores, a família!

Qual a responsabilidade da família nesta grande missão? Será que a família está fazendo a sua parte?

Em conversa com adolescentes e adultos com Síndrome de Down que tive contato, ao perguntar a quem eles agradecem pelo sucesso em sua alfabetização e autonomia a resposta com os olhos lacrimejando é: Minha mãe, devo a ela tudo que sou e consegui até hoje, sua insistência, suas noites sem dormir e sua paciência quando eu não queria estudar.

Penso que esse é um grande desafio para as crianças e suas famílias.

Vejo que o caminho que estamos percorrendo com as crianças pequenas de hoje, todo o esforço, horas sem dormir, choro das mães sozinhas na hora do banho, suas lutas, desafios e vitórias, se transformará em grandes benefícios e em tranquilidade no amanhã não tão distante, porque a vida passa muito rápido e num piscar de olhos já estamos no amanhã.

Existem aqueles que não puderam ser alfabetizados e isso é ruim? Sim, um pouco pela autonomia que deixa de ser plena na medida de suas capacidades, quem sabe se essas pessoas não poderiam alçar vôos maiores, se pudessem ler um livro, ou ler o ônibus que o levará até a escola de natação ou até a faculdade, e isso andando sozinho. Quem sabe escrever um bilhete para a mãe enquanto vai até a padaria, ou escrever um Eu te Amo para a sua namorada.

Mas e se a pessoa não é alfabetizada, mesmo assim ainda ela pode dançar, pode trabalhar com artes ou ser um grande músico? Sim! Claro que pode! Ser feliz é o grande foco, mas quem viu quais eram as suas vontades e deu a oportunidade de a pessoa escolher esse caminho? Sua família!

O importante em tudo isso, não é apenas o que se conseguiu ao final da batalha, mas todo o caminho percorrido com as oportunidades que a família proporcionou. Uma pessoa com deficiência intelectual que tem grandes oportunidades também pode ter grande sucesso na área que mais gosta para ser mais feliz e mais plena no que desejar fazer em seu futuro.

Qual maior medo da mãe de uma criança com deficiência, elas sempre dizem: E quando eu morrer? Como ficará meu filho? Como ficará minha filha?

Trabalhar pela autonomia, gera além de bem estar para quem está aprendendo, também uma sensação de tranquilidade e certeza de que se amanhã eu faltar, eu fiz o melhor possível para que essa pessoa possa estar feliz e com uma boa autonomia, dentro do que ela é capaz de fazer.

Esse é o grande legado que uma família pode deixar para uma pessoa com necessidades especiais.

Em casa se trabalha para que essas pessoas sejam educadas, respeitem as regras, se comportem bem, para que a sociedade possa também, receber com educação e sem preconceito essas pessoas.

Eles são capazes! Basta que saibamos como trabalhar com eles, dito isso, tenho certeza que se a família estiver ativa, paciente, engajada e não desistir, essas pessoas terão a plena capacidade de serem incluídas com sucesso e serem também mais felizes.

Vamos cobrar menos e fazer mais?

Quando os pais são presentes e acompanham o crescimento educacional dos filhos dia a dia, suas habilidades sociais aumentam e a chance de problemas comportamentais diminui.

Vamos juntos!

Texto: Simone Galvão

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