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Desfralde 

Ultimamente se vê mães de crianças com Síndrome de Down instalando aparelhos no teto para crianças pularem muito, existe uma lenda que se elas pularem fica mais fácil desfraldar. Vamos falar sobre isso hoje? A criança começa a dar sinais do desfralde e se aguardarmos esses sinais, desfraldar fica muito mais fácil. Os sinais começam quando a criança já consegue correr, pular e ter firmeza nas pernas. Esse é um sinal de que a musculatura da pelve pode ser controlada também. Outro sinal que o desfralde pode começar, é a criança aprender a pedir, falar corretamente o que quer. Muitas vezes a fralda amanhece seca e isso também é um sinal de que a tirar a fralda pode ser uma boa idéia, pois o controle da bexiga já está total. Será que é tão simples assim saber qual o momento certo para começar a retirar a fralda? Basta observar quando a criança é capaz de pular com os dois pés juntos? Pesquisando sobre o assunto para descobrir se isso é mito ou verda, não encontramos nenhum artigo científico que falasse sobre isso especificamente. Mas verdade seja dita, tampouco existe um consenso científico sobre qual a melhor idade para o desfralde, ou como ele deve ser conduzido. Porém, estudos comprovam que o desfralde demora mais tempo quando se tenta adiantar o processo, quando a ansiedade dos pais ou a pressão da escola forçam um processo sem que a criança esteja pronta para isso. Ou seja, o que é cientificamente comprovado até agora é que a criança deve conduzir o processo, não os pais! Portanto o mais importante é observar os sinais emitidos pela criança. a bióloga Zioneth Garcia explica o desfralde como um processo que acontece em três dimensões: neurofisiológica, comportamental e psicossocial. E ele depende de uma série de fatores, que podem ou não se desenvolverem simultaneamente. Portanto, não é um único marco de desenvolvimento, como pular com dois pés juntos, que vai garantir que a criança esteja 100% pronta para o desfralde. Em primeiro lugar, a criança precisa aprender a controlar seus esfíncteres. E isso não pode ser ensinado, mas adquirido, pois depende do amadurecimento neurofisiológico do seu organismo. De acordo com a Academia Americana de Pediatria a criança não tem controle sobre a bexiga ou o intestino antes dos 12 meses e só passa a ter um pouco de controle por volta dos 18 meses. Em crianças com deficiência esse processo PODE demorar muito mais tempo para amadurecer, pois sabemos que essas crianças tem um processo muito mais lento para amadurecer, mas também pode seguir o padrão das crianças sem deficiência. Em seguida, a criança precisa aprender todas as pequenas ações que envolvem uma ida ao banheiro: identificar a vontade, aprender a abaixar a calça, a calcinha ou a cueca, sentar, fazer xixi ou cocô, pegar o papel higiênico, dar descarga, lavar as mãos etc. “Não é raro que alguns textos sinalizem a aquisição de habilidades como correr, subir escadas sem apoio ou pular em um pé só como marcadores ou sinalizadores de que a criança PODE estar pronta para o desfralde, justamente porque esses comportamentos sinalizam a presença de um sistema neurológico com maiores chances de estar amadurecido.”, escreve Zioneth. Além disso, a criança tem que estar emocionalmente pronta para o desfralde. Ela precisa demonstrar interesse pelo assunto, não ter medo. Se houver uma resistência muito grande, o melhor a fazer é esperar. Ninguém pode controlar quando a criança vai urinar ou defecar além dela mesma. Não entre numa disputa de poder. A criança tem que querer. Sinais que a criança está pronta para o desfralde A maioria dos especialistas concorda que é melhor esperar pelo momento em que a criança esteja saudável (sem diarreia ou prisão de ventre, por exemplo); relaxada (sem nenhum mudança muito grande em sua vida, como uma mudança, por exemplo) e cooperativa. Depois disso as opiniões variam. A Academia Americana de Pediatria recomenda que se observe alguns dos seguintes sinais para saber se a criança está pronta: A criança consegue ficar pelo menos duas horas seguidas com a fralda seca ou fica com ela seca depois de uma soneca; Os movimentos do intestino ficam regulares e previsíveis; A expressão facial, a postura ou as palavras demonstram que a criança está prestes a fazer xixi ou cocô; A criança consegue seguir instruções simples; A criança consegue andar até o banheiro e ajuda a tirar a roupa; A criança fica incomodada com a fralda cheia e quer ser trocada; A criança pede para usar o banheiro ou o penico; A criança pede para usar calcinha ou cueca de criança grande. Esfíncter é uma estrutura, geralmente um músculo de fibras circulares concêntricas dispostas em forma de anel, que controla o grau de amplitude de um determinado orifício. O corpo humano tem três esfíncteres importantes: o esfíncter cárdico, o esfíncter anal e o esfíncter pilórico, que faz comunicação entre o estômago e o duodeno. Também existe o esfíncter de Oddi que se encontra no Duodeno.Existem pelo menos 142 esfíncteres no corpo humano, alguns dos quais em tamanho microscópico. O xixi e o cocô são as primeiras produções independentes da criança. A princípio, ela pode expressar o maior orgulho dessas produções, quando percebe que foram feitas por ela. É interessante observar que cada cultura, cada grupo social, considera o fazer xixi e cocô de formas diferentes. De acordo com os costumes da comunidade, podemos observar variações, por exemplo, quanto aos hábitos, ao local etc. Em alguns grupos, podemos ver que há uma maior tranquilidade no que diz respeito ao tempo que a criança vai levar para adquirir o controle dos esfíncteres, quer dizer, o controle da bexiga e do intestino. Existem alguns métodos que ensinam sobre o desfralde e ligam esse processo ao pular, porém sabemos que o pular é também uma forma de entender o processo de maturação do sistema nervoso central e assim sendo PODE ser que esse amadurecimento venha a calhar na mesma época do desfralde da criança, mas pelo amadurecimento cerebral e não pelo ato de pular em si. Portanto, pular e desfraldar é uma lenda! Muitos Downs não indicam que querem ir ao banheiro, mesmo mais velhos, então entra a mamãe ajudando a lembrar, sempre tenha roupa extra na bagagem. Vamos em frente! Texto e pesquisa: Simone Galvão de França #MontessoriDayCare #Montessoriparacriançasespeciais

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